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Axolote, Axolotle (Ambystoma mexicanum) – Guia da espécie

Os Axolotes estão ficando cada vez mais populares no mundo todo e é fácil entender o porquê. Esses anfíbios são exóticos e fofos ao mesmo tempo, então não é surpresa que todos se apaixonem por eles. Se você quer um animal único, que fuja um pouco do padrão, o Axolote pode ser o bichinho ideal para você.

Além da sua beleza incomum, eles também tem outro atrativo, não precisam de cuidados muito especiais. Não necessitam de equipamentos incomuns, nem nada específico para a espécie. Na verdade, se você tem experiência com peixes, então provavelmente já sabe quase tudo o que precisa para ter um Axolote. No entanto, ele certamente precisa que os parâmetros de água em que vive estejam apropriados a espécie. A maior dificuldade se deve à temperatura fria em que precisam viver.

Ficha do Axolote

Nomes comunsAxolote, Axolotl, Axolotle
Nome científicoAmbystoma mexicanum
Nível de dificuldadeModerado
TemperamentoPacífico
Temperatura15°C – 23ºC
pH6.5 – 8.0
Tamanho recomendado do aquário60 Litros
Expectativa de vidaAté 15 anos
Tamanho Adulto20 cm
AlimentaçãoCarnívoro
Dureza da água7-14 GH

O Axolote

A espécie também é conhecida como a Salamandra mexicana, e vive originalmente em lagos no México. O Axolote tem um característica muito especial, mesmo depois de adultos, eles não perdem algumas das características da sua fase larval. Entre essas características estão os seus 3 pares de brânquias externas e sua barbatana caudal. Na maior parte das outras salamandras, esses elementos se perdem quando elas viram adultas e, consequentemente terrestres. No entanto, em alguns casos muito raros, o Axolote pode acabar passando por uma metamorfose. Nesses casos ela se transforma num animal terrestre, sem as caraterísticas de larva e deve, portanto, ser tratada de uma maneira totalmente diferente.

Como dito anteriormente, a espécie não é um peixe, e sim um anfíbio. O seu nome foi dado pela civilização Asteca, no século 13, eles os nomearam assim em homenagem ao deus do fogo e trovão Xolotl. Desde então, o Axolote é um símbolo da cultura da sua terra de origem. Em 1863, alguns animais da espécie foram levados para Europa, para estudar sua impressionante capacidade de regeneração. Ele são capazes de regenerar suas pernas, braços, coração e até o cérebro.

Com tantas características impressionantes, não é nenhum surpresa que ele tenha chamada a atenção de tantos cientistas. E logo depois que foram introduzidos se tornaram popular como animais de estimação, inclusive, acredita-se que a grande maioria dos exemplares vendidos hoje, são em parte descendentes daquele primeiro grupo levado a europa. Hoje, a espécie está em perigo de extinção na Natureza, mas está cada vez mais presente em aquários por todo o mundo.

Guia Definitivo do Betta
Guia Definitivo do Betta
Axolote

Classificação da Espécie

ClasseAmphibia
OrdemUrodela
FamíliaAmbystomatidae
EspécieAmbystoma mexicanum

O ambiente ideal para o Axolote

Como dito anteriormente, o aquário para um Axolote não é muito diferente dos que usamos para peixes ornamentais. Em resumo, eles precisam de um aquário de tamanho apropriado, com um filtro eficiente e água dentro dos parâmetros exigidos para a espécie. Vamos falar de cada um desses pontos agora.

O Aquário para o Axolote

Quanto ao tamanho do aquário eles vivem muito bem em um aquário de 60 litros, no entanto, quanto maior, melhor. Aquários maiores são mais fáceis de manter limpos e com os parâmetros estabilizados. Algumas pessoas conseguem manter um Axolote até mesmo em um aquário de 36 litros, mas é muito arriscado, pois é extremamente difícil manter os parâmetros de água estáveis. Além disso, se o Axolote crescer muito, ele mal conseguirá se mexer.

Para deixar seu bichinho ainda mais à vontade, você pode adicionar muitas plantas, rochas e até mesmo troncos. Só tome cuidado para não deixar pontas afiadas que possam machucar o Axolote. Eles também não apreciam iluminação forte, então evite usar luzes muito intensas. Além disso, fazer algumas cavernas para eles são uma ótima ideia, e isso ajuda muito na hora de reduzir o estresse para o animal.

Substrato

No aquário, é recomendado se usar um substrato de areia muito fina. Isso é importante, porque eles costumam sugar água e, algumas vezes, até abocanhar o substrato. Caso você use algo com uma granulometria muito alto, como por exemplo, cascalho de rio, ele poderá engolir e causar uma obstrução no intestino. Portanto, procure usar a areia mais fina possível, algo próximo a granulometria do açúcar que usamos em casa.

Filtro para o aquário do Axolote

Em um aquário para Axolote, a escolha do filtro não tem nenhum segredo. Escolha um filtro recomendado para o tamanho do seu aquário e de boa qualidade. Para iniciantes, uma ótima opção é comprar um filtro Hang-On, que é eficiente, fácil de limpar e possui controle do fluxo de água. Esse controle é importante porque Axolotes odeiam correntezas e água muito turbulentas. Então se o seu filtro estiver criando um fluxo muito intenso, você pode diminuir o fluxo diretamente no filtro. Outra opção, é colocar algumas decorações ou plantas em frente ao filtro, servindo como anteparo para reduzir a intensidade do fluxo.

Parâmetros de água ideais para um aquário de Axolote

No geral, os parâmetros de água pedidos pela espécie não são nada complicados. No entanto, eles precisam que esses parâmetros sejam respeitados, ou então, a saúde dos animais se deteriorará. Eles precisam de um pH entre 6.5 e 8.0, amônia e nitrito devem estar sempre zerados. Já os nitratos, devem idealmente estar abaixo de 10 ppm. A dureza da água deve ficar entre 7 e 14 GH.

No entanto, tem um parâmetro que é o que costuma gerar mais problemas, especialmente para quem mora em lugares quentes. Esses animais precisam de água mais fria, que deve ficar entre 15ºC e 23ºC, o que pode ser muito difícil em algumas regiões. No entanto, esse é um fator fundamental, e se o aquário se desviar muito desses vvalores de referência, o Axolote sofrerá muito e possivelmente adoecerá. Devido à isso, é recomendável se colocar o aquário no cômodo mais frio da casa, longe de janelas e qualquer contato com o sol. Se isso não for suficiente, então pode ser necessário comprar um Chiller para reduzir a temperatura da água.

Axolote

Alimentação para o Axolote

É um animal carnívoro e na natureza eles comem insetos, minhocas, larvas, pequenos peixes e anfíbios. Ou seja, eles comem quase tudo que cabe na sua boca. Nos aquários, devemos tentar reproduzir uma dieta similar a encontrada na natureza. Mas felizmente, já temos rações industrializadas que podem ser oferecidas para seu bichinho.

Algumas opções de alimento que você pode oferecer para seu axolote são:

  • Rações especiais para a espécie (deve ser a base da alimentação do Axolote)
  • Bloodworms
  • Artêmia congelada
  • Dafnias
  • Pedaços de peixes e camarão triturados

Todos os alimentos vivos, devem ser de boa procedência, para evitar problemas de saúde devido a patogênicos. Algumas pessoas oferecem insetos vivos, grilos, minhocas, mas esse tipo de petisco oferece algum risco ao animal, já que também pode conter parasitas.

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A quantidade de alimento a ser dada, varia muito de animal para animal e também muda com a idade. Você pode os alimentar lentamente até que eles comecem a rejeitar a comida. E tenha muito cuidado para não deixar sobras no aquário, já que isso irá sujar a água, criando amônia e nitrito. Quanto a frequência, os adultos costumam comer uma vez a cada 2 ou 3 dias, embora quando filhotes eles podem comer até duas vezes por dia. Felizmente, o Axolote para de comer quando se sente cheio, isso diminui a chance de alimentá-los em excesso.

Comportamento Típico

Eles costumam ser mais ativos a noite ou quando percebem pouca luz no ambiente. Eles passam a maior parte do tempo no fundo do aquário, sem se mover muito, mas isso muda na hora da alimentação. Nesses momentos eles se deslocam mais e podem até perseguir os alimentos oferecidos. No geral, são animais mais calmos que não devem ficar se movendo por toda a parte o tempo todo.

Eles também podem ser observados mexendo no substrato e plantas do aquário, os movendo de um lado para outro. É um comportamento interessante de assistir e parece ser benéfico para o animal. Enquanto está se adaptando ao novo aquário, ou quando se sente desconfortável por algum motivo, eles tendem a se esconder, mostrando um comportamento muito tímido. Com o tempo, e as condições certas no aquário, eles se tornam mais confiantes e ficam nas partes mais visíveis. Após se acostumarem com seus donos, podem até nadar para perto deles quando os veem (esperando ser alimentados, é claro).

Aparência do Axolote

Seu visual é muito exótico, com um rosto sempre simpático e três pares de brânquias externas super visíveis. Além disso, seu corpo é cilíndrico, com caudas longas e olhos pequenos. Na natureza, possuem uma coloração que mistura as cores marrom, verde e amarelo. Mas devido a criação em aquários, surgiram algumas variações com cores diferentes. Dentre elas algumas se destacam:

Axolote Leucístico – Corpo branco, com olhos escuros e brânquias vermelhas.

Axolote Albino – Corpo todo branco, com olhos brancos ou rosas. Suas brânquias são rosas.

Axolote Albino

Axolote Black – Corpo escuro, com brânquias em vermelho escuro ou pretas.

Axolote Black

Companheiros de aquário para o Axolote

O cenário ideal para criar um Axolote é em um aquário só para ele. Apesar da sua aparência simpática e comportamento calmo, eles são caçadores vorazes. Então, eles podem comer qualquer coisa que caiba na boca deles. Dessa maneira, é recomendado não colocar nenhuma outra espécie de peixe, salamandra, camarão, ou qualquer outro animal. Mesmo os que não podem ser comidos devido ao tamanho, podem ser atacados.

No caso de outros Axolotes, é possível criá-los juntos, mas é importante ressaltar que os Axolotes mais jovens, podem mordiscar patas e brânquias uns dos outros. Então também não é recomendado ter mais de um jovem. Já os adultos, costumam viver sem problemas no mesmo aquário, desde que o volume de água seja adequado. No entanto, isso não beneficia em nada o animal, já que é um anfíbio solitário.

Distribuição na Natureza

Eles foram encontrados originalmente em vários lagos da regiões centrais do México. Viviam em águas frias e limpas, que desciam de córregos nas montanhas. Mais recentemente, sua existência ficou restrita a dois lagos mexicanos o Lago Xochimilco e o Lago Calcho. Mas infelizmente, devido a drenagem de boa parte do lago Calcho, seus números reduziram muito, e a única população realmente grande de Axolotes na natureza hoje está no Lago Xochimilco.

Diferenciar entre macho e fêmea

Em exemplares jovens a, a diferenciação entre macho e fêmea é quase impossível. Geralmente demora em torno de um ano, até que seja possível determinar o sexo deste anfíbio, mas em alguns casos, pode demorar at 18 meses. Já nos Axolotes adultos, a diferenciação costuma ser muito fácil e certeira. Existem duas características principais que podem ajudar nisso.

O método mais confiável de notar a diferença entre macho e fêmea é comparar a região chamada de cloaca. Ela fica localizada imediatamente atrás das patas traseiras do animal. Nas fêmeas a cloaca é mais achatada, com muito pouco volume, mas no macho a cloaca é muito visível e parece até inchada. Além disso, a fêmea também costuma ser mais roliça e, olhando de cima, seu corpo parece mais largo que o do macho.

Reprodução do Axolote

Eles são consideravelmente fáceis de reproduzir, mas é claro que é necessário seguir alguns passos para aumentar a chance de sucessos. Além disso, é importante ter certeza que você já tem dois exemplares que atingiram a maturidade sexual. O recomendado é não tentar reproduzi-los antes que eles completem 18 meses, principalmente porque a reprodução é muito desgastante para a fêmea.

Alguns estudos dizem que o melhor período para reproduzir os Axolotes é de Dezembro à Junho, no entanto, isso pode mudar de lugar pra lugar, principalmente em função das variações de clima. Apesar dessa informação, é muito comum que eles se reproduzam espontaneamente, sem nenhuma intervenção humana. Então, mesmo que você não faça nada, se você têm um macho e uma fêmea juntos, pode ser que aconteça. Mas se você quiser influenciar para que isso aconteça, vamos descrever um passo a passo de todo o processo.

Preparando o aquário para reprodução

Para começar, separe um aquário com pelo menos 36 litros por animal. Depois coloque bastante plantas no aquário, isso dará a fêmea lugares para colocar os ovos. Também coloque rochas achatadas no fundo do aquário, para que o macho tenha um lugar plano onde depositar espermatóforos. Mas lembre que qualquer objeto no fundo do aquário tem que ser maior que a boca do Axolote, para que ele não possa engolir.

Acasalamento e desova

No caso dos Axolotes, o macho começa a desova, colocando entre 5 e 25 espermatóforos em cima das rochas no fundo do aquário. Após isso, ele levanta sua cauda e faz movimentos intensos na direção da fêmea, tentando a levar até o local onde ele colocou os espermatóforos.

Quando ela chegar à esse local, ela pega os espermatóforos e a fertilização ocorre internamente. Depois, entre duas horas ou dois dias, após a fertilização, ela colocará cada um dos seus, os depositando nas plantas, ou outras superfícies dentro do aquário.

A quantidade de ovos pode variar de 100 até 1000. Mantenha uma boa concentração de oxigênio na água para os ovos, uma bombinha de ar de pode ajudar. Os adultos não terão problema algum e comer os ovos e os filhotes, então é preciso removê-los do aquário de reprodução.

Larvas de Axolote. Os Filhotes.

Após duas ou três semanas, os ovos eclodem e as larvas do Axolote surgem. Elas são muito pequenas (cerca de 1 cm) e quando nascem praticamente não se movimentam (e não comem) por dois ou três dias, mas não se preocupe, elas não estão mortas. Quando elas começarem a se deslocar é o sinal de que já estão prontas para se alimentar.

Um ponto importante é que a espécie é conhecida por praticar canibalismo, especialmente quando muito jovens. Então sempre que começar a surgir uma diferença de tamanho entre as larvas, é bom separá-las, ou ataques poderão acontecer. Quando elas já estão com 4 cm, o ideal é não deixar mais que umas 15 larvas juntas, ou a taxa de ataques vai ser muito alta.

Nessa fase é preciso oferecer alimentos vivos. A melhor opção nesse caso são artêmias recém eclodidas, pois nesse momento elas ainda são pequenas o suficiente para as larvas comerem. Caso não consiga eclodir artêmias, pode tentar alimentá-los com nauplios de artêmia.

Quando elas chegarem a 6 cm, já são pequenas réplicas dos pais, e pode-se tentar alimentá-las com alimentos similares aos que são oferecidos aos adultos.

Axolote é um bom pet para você?

Essa é uma pergunta que você tem que fazer para si mesmo. Eles são animais adoráveis e muito interessantes de se manter em um aquário, mas exigem cuidados. Não são extremamente exigentes, as precisam que sua água esteja sempre dentro dos parâmetros. Além disso, é importante lembrar da temperatura que a espécie exige. Se você mora em um lugar quente, onde a água não fica naturalmente abaixo de 24º C, você provavelmente vai precisar de um chiller.

Caso você julgue que está pronto e que deseja ter um Axolote, siga as informações desse guia, e é claro, também estude em outras fontes para dar uma vida de qualidade ao seu novo bichinho.

Referências

The National Center for Biotechnology Information – Ambystoma mexicanum (Shaw & Nodder, 1798)

Index to Organism Names (ION) – Ambystoma mexicanum

Encyclopedia of Life (Smithsonian Institution’s National Museum of Natural History) – Axolotl: Ambystoma mexicanum (Shaw & Nodder 1798)

Zambrano, L., Mosig Reidl, P., McKay, J., Griffiths, R., Shaffer, B., Flores-Villela, O., Parra Olea, G.; Wake, D. 2006. Ambystoma mexicanum. In: IUCN 2007. 2007 IUCN Red List of Threatened Species.

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Publicado em 15 jul, 2022

Autor: Rodrigo Matos é aquarista a mais de 20 anos, com dezenas de aquários montados a longo dessas duas décadas. Sua especialidade são aquários plantados, porém têm experiência com aquários marinhos, ciclideos, criação de neocaridinas, bettas, nanos, dentre outros. Atualmente está focado na criação de neocaridinas e em aquários densamente plantados.

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