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Ramirezi (Mikrogeophagus ramirezi) – Tudo sobre a espécie

Um dos peixes mais populares no momento, o Ramirezi se tornou uma febre nos aquários de todo mundo. Possuem cores fortes, com pontos azuis e faixas pretas por todo o corpo, o deixando assim, com uma aparência muito exuberante. É um dos famosos ciclídeos anões, dessa maneira, podem ser mantidos em aquários não tão grandes. Seu tamanho, aparência exótica e nado gracioso, fazem com que ele seja muito atraente para aquários pequenos (mas não minúsculos).

Além disso, podem viver em aquários comunitários. Porém, é preciso aprender sobre essa espécie antes de adquiri-la, pois é um peixe um pouco sensível quanto aos parâmetros de água. Ademais, também é um pouco tímido, podendo frustrar pessoas que querem um animal mais ativo.

Ficha do Ramirezi

Nomes comunsRamirezi, Ramirezi Azul, Ramirezi Comum
Nome científicoMikrogeophagus ramirezi
Nível de dificuldadeModerado
TemperamentoPacífico
Temperatura24°C – 30°C
pH4.5 – 7.0
Tamanho recomendado do aquário54 Litros
Expectativa de vida3 anos
Tamanho Adulto5 à 7 cm
AlimentaçãoOnívoro
Dureza da água5 à 12

A espécie

Originários da América do Sul, esses pequenos ciclídeos conquistaram o mundo, pois são altamente utilizados em aquários em todos os lugares. Seu corpo com detalhes pretos, azuis e nadadeiras vermelhas, fazem com que ele tenha uma aparência exótica, muito desejada para criar contraste com as plantas, em um aquário plantado. Dentre os ciclídeos, ele se destaca por seu temperamento pacífico, e portanto o tornando um dos mais indicados para aquários comunitários.

Não são uma espécie em perigo de extinção e, felizmente, sua reprodução é muito fácil, assim sendo, a maior parte dos exemplares vendidos são criados em cativeiro. Apesar de ser um pouco difícil de cuidar, esses peixes tem preços acessíveis e estão disponíveis em quase todos as lojas de aquário. No entanto, eles são muito sensíveis a mudanças bruscas ou a parâmetros inadequados, o que causa uma mortalidade alta na espécie quando são adquiridos por pessoas inexperientes.

Além da qualidade da água, outro fator marcante na hora de conseguir sucesso com a espécie, são os cuidados com alimentação. A espécie pode ser um pouco difícil na hora de tentar novos alimentos, principalmente quando ainda estão se acostumando ao aquário. Alimentos vivos podem ajudar nessa adaptação.

Classificação da Espécie

ClasseActinopterygii
OrdemPerciformes
FamíliaCichlidae
EspécieMikrogeophagus ramirezi

Comportamento Típico

Podem ser peixes um pouco tímidos, ou seja, gostam de se esconder entre plantas, rochas e troncos. No entanto, também são bastante curiosos, e costumam percorrer todo o aquário, procurando comida por todos os cantos mais escondidos.

São pacíficos e, apesar de não serem gregários, podem viver com outros da mesma espécie, desde que o aquário seja grande o suficiente. Contudo, pode ser um problema os manter juntos de outros ciclídeos, já que costumam ser mais agressivos.

São peixes inteligentes, capazes de fazer associações com relação a pessoas. Com o tempo, pode reconhecer quem o alimenta, e se aproximar da superfície para receber a comida diretamente do dono, quando este se aproxima. Machos e fêmeas algumas vezes formam casal e são vistos nadando juntos pelo aquário.

Guia Definitivo do Betta
Guia Definitivo do Betta

Como dito anteriormente, são peixes pacíficos, mas no período de acasalamento, podem ser tornar mais territoriais. Ter mais fêmeas que machos, ajuda a reduzir esse comportamento.

Aparência do Ramirezi

Tem um corpo oval, predominantemente amarelo com pontos azuis por todo o corpo. Uma faixa preta atravessa o olho verticalmente, além disso, também tem manchas pretas em outras áreas. Suas nadadeiras podem ser vermelhas ou amarelas, além de longas e pontudas. Seus olhos podem ser vermelhos, por consequência dando ao peixe uma aparência mais intimidadora. Todas essas características são mais fortes nos machos, porém também estão presentes nas fêmeas.

Ramirezi nadando

Tamanho do aquário para Ramirezi

É um peixe ativo, que gosta de explorar o aquário, portanto é recomendado um aquário de 54 litros ou mais. Isso será suficiente até mesmo para manter um casal da espécie. Um aquário grande é mais fácil de manter limpo e com parâmetros estáveis, o que inegavelmente ajuda na hora de manter peixes mais sensíveis. Dessa maneira, quanto mais litros melhor para seu peixe. Outra grande ajuda na hora de ter um aquário para essa espécie é ter bastante plantas, visto que elas ajudam a oferecer esconderijos e também ajudam a estabilizar os parâmetros do aquário.

Alimentação para o Ramirezi

Ramirezis são omnívoros e na natureza comem insetos, outros pequenos animais e também material vegetal, então devemos procurar imitar isso no aquário. Isso é possível dando rações de qualidade, de preferência variando entre 2 ou 3 tipos de ração, mas sempre de boas marcas. Além disso, suplementar sua dieta com alimentos vivos ajuda a deixar o peixe mais feliz e colorido. Artêmias e dafnias são boas opções para isso.

Algumas vezes, podem ter resistência as rações em aquários novos, nesse caso a maior probabilidade é que ele esteja estranhando os parâmetros da água, ou que tenha sido inserido rápido demais. Dessa maneira, foque em manter a água adequada para o Ramirezi e deixe os parâmetros sempre estáveis. Enquanto ele está nessa adaptação, oferecer comida viva pode o incentivar a se alimentar melhor.

Que peixes manter com o Ramirezi

Apesar de serem ciclídeos, eles são peixes pacíficos e devem se dar bem com qualquer espécies. No entanto, é necessário que as espécies sejam compatíveis quanto aos parâmetros de água. Ou seja, valores de pH, GH, temperatura e todos os outros, devem estar em valores ideais para os Ramirezis e os demais peixes. A espécie pode até mesmo viver com outros ciclídeos, desde que também não sejam agressivos. Um exemplo de cíclideo que vive bem com o Ramirezi é o Apistogramma Cacatuoides, se o aquário for grande o suficiente.

Outros peixes recomendados para viver com eles são neon, rodostomus, tetra foguinho, acará bandeira, acará disco, otocinlus, coridoras. Em resumo, qualquer peixe que viva nos mesmos parâmetros, não seja agressivo e não seja grande o suficiente para pensar no Ramirezi como comida.

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Tipos de Ramirezi

Devido a facilidade de reprodução, a espécie sofreu muita reprodução seletiva para fortalecer alguns traços específicos. Assim foram surgindo as novas variações do Ramirezi, com cores diferentes, corpos diferentes e até mesmo nadadeiras diferentes. Algumas das variações mais famosas são:

Ramirezi Véu:

Ramirezi Véu

Ramirezi Eletric Blue:

Ramirezi Electric Blue
Photo: BlueRam92 / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

Ramirezi Ouro:

Ramirezi Ouro

Distribuição na Natureza

O Ramirezi é nativo da América do Sul e é encontrado principalmente no rio Orinoco na Venezuela e Colombia. Porém, também já foi encontrado em alguns afluentes e até mesmo no Brazil. No seu habitat natural eles vivem em água macias e ácidas, com águas com muitos taninos devido ao material orgânico dissolvido. Além disso, estão acostumados a áreas com muita vegetação e farta oportunidade de refúgio. Felizmente, há muitos já é possível reproduzir o peixe em aquários, dessa maneira quase todos os peixes que são vendidos hoje não são coletados na natureza.

Diferenciar entre macho e fêmea

A diferenciação entre machos e fêmeas na espécie não é fácil. No entanto, os machos costumam ser maiores e com cores mais vivas. Enquanto as fêmeas costumam ser menores e têm cores menos intensas. Outro ponto que pode ser usado para tentar diferenciar é que as manchas laterais do macho, no geral são pretas, enquanto as fêmeas têm uma tonalidade azulada nas manchas escuras na lateral do seu corpo. Os machos também podem ter a nadadeiras dorsais mais alongadas.

Infelizmente, essas variações externas não são meios garantidos de diferenciar entre os sexos do peixe. Se você tiver um grupo de Ramirezis, comparar os pontos levantados podem te dar uma noção de quais são os machos e quais são as fêmeas, mas é possível que ocorram alguns equívocos no processo.

Reprodução do Ramirezi

A reprodução da espécie é relativamente fácil e costuma ter uma grande taxa de sucesso. No entanto, é recomendável se separar um aquário específico para esse propósito, para que os parâmetros da água sejam meticulosamente preparados para a reprodução. Podemos seguir esses passos para reproduzir a espécie:

  • Alimente o casal de Ramirezis com uma alimentação rica em proteínas, especialmente com alimentos vivos, durante alguns dias ou semanas.
  • Coloque o casal no aquário que será usado para o acasalamento.
  • O pH do aquário deve ficar entre 5.5 e 6.5.
  • Aumente a temperatura gradativamente até estabilizar em 28 graus.
  • Use um filtro de esponja, que manterá a água limpa, sem perturbar pais ou futuros alevinos.
  • Tenha rochas lisas, ou plantas com folhas grandes no aquário, para a fêmea poder depositar os ovos nelas.
  • O macho seguirá a fêmea fertilizando os ovos.
  • Em torno de 60 horas, os alevinos nasceram.
  • Em geral, os Ramirezis protegem os ovo e alevinos, no entanto, caso veja algum dos pais atacando, o remova imediatamente.
  • Após o nascimento, ofereça comidas de alevino para os filhotes e espere seu crescimento.
  • Quando estiverem de tamanho similar aos adultos, já podem receber alimentos normais.
Ramirezi e Alevinos

Referências

Kullander, S.O., 2003. Cichlidae (Cichlids). p. 605-654. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.

Kullander, SO, 2011 – Zootaxa 3131: 35-51

Myers, G. S. and R. R. Harry 1948 (1 Aug.) [ref. 5458]
Apistogramma ramirezi, a cichlid fish from Venezuela. Proceedings of the California Zoological Club v. 1 (no. 1): 1-8.

Index to Organism Names: ION – Mikrogeophagus ramirezi (Myers & Harry 1948)

Integrated Taxonomic Information System – Mikrogeophagus ramirezi (Myers and Harry, 1948)

California Academy of Sciences – Mikrogeophagus ramirezi

Encyclopedia of Life (Smithsonian Institution’s National Museum of Natural History) – Mikrogeophagus ramirezi

Publicado em 24 jun, 2022
Categorias:

Autor: Rodrigo Matos é aquarista há mais de 20 anos, com dezenas de aquários montados a longo dessas duas décadas. Suas especialidades são aquários plantados e peixes bettas, porém têm experiência com aquários marinhos, aquários nanos, ciclideos, criação de neocaridinas, dentre outros. Atualmente está focado na criação de neocaridinas e em aquários densamente plantados.

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