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Aquário plantado. Tudo o que você precisa saber para montar um

Cada vez mais populares no mundo do aquarismo, os aquários plantados tem muitos benefícios. As plantas produzem um ambiente mais equilibrado, usam detritos para sua nutrição e ainda servem como refúgio para os peixes, diminuindo assim seu estresse. Além de que, alguns dos aquários mais fascinantes do mundo são plantados.

Aquários plantados são extremamente bonitos, mas exigem um certo nível de conhecimento. Para ter um aquário plantado bem sucedido, o aquarista tem que aprender sobre iluminação, CO2, tipos de substratos, tipos de plantas, dentre outros muitos fatores. Todos estes elementos, influenciam não apenas o desenvolvimento das plantas, mas também todo o equilíbrio e a saúde do seu aquário.

Nesse artigo, você aprenderá em detalhes tudo que precisa para ter um aquário plantado. Incluindo como calcular a iluminação necessária, que tipo de substrato escolher e as melhores opções para injetar CO2 no aquário. Além disso, daremos um passo a passo para montar um aquário plantado da forma certa.

O que é um aquário plantado?

Uma definição de aquário plantado seria: Um aquário que usa qualquer tipo de planta natural, ao invés das tradicionais decorações industrializadas. Então qualquer aquário com uma plantinha em um canto, já seria um plantado.

Essa definição não está errada, mas prefiro dizer que um aquário plantado é um aquário em que as plantas são parte tão fundamental ao sistema quanto os peixes. E em alguns casos, até mais.

Então, essa é a diferença entre ter um aquário com plantas e ter um aquário plantado. Enquanto um é um aquário comum com algumas plantinhas, o outro é um ecossistema vivo, que mantém um lindo equilíbrio entre plantas, peixes e os milhões de micro-organismos que vivem na água.

Alguns aquários plantados abaixo:

Plantado com acará bandeira
Plantado com acará bandeira
Curso Aquarismo de Água Doce
Curso On-line Completo de Aquarismo
Aquário Plantado com tronco
Aquário Plantado com tronco
Guia Definitivo do Betta
Guia Definitivo do Betta
Aquário densamente plantado
Aquário densamente plantado

Benefícios de um aquário plantado

Como mencionado acima, existem uma série de benefícios em ter plantas no seu aquário, desde maior oxigenação até menos necessidades de trocas parciais de água. Alguns desses benefícios são:

  • Controle da poluição no aquário: As plantas ajudam a consumir as substâncias nocivas aos peixes, geradas naturalmente pelos detritos liberados no aquário.
  • Controle de algas: As plantas competem por nutrientes com as algas, então quando o aquário plantado está se desenvolvendo, ele está consumindo o excesso de nitratos e outras substâncias. Quando não temos plantas, as algas consomem esses nutrientes e se desenvolvem.
  • Oxigenação do aquário: As plantas, quando têm iluminação e gás carbônico disponíveis, fazem a fotossíntese, gerando alimento para a planta e liberando oxigênio na água do aquário.
  • Refúgio para os peixes: Muitos peixes precisam ter seu próprio território, seu espaço, onde ele se esconde quando se sente acuado ou ameaçado. As plantas ajudam muito nisso, criando esconderijos e separações naturais para os peixes, diminuindo o estresse dos animais dentro do aquário. Isso é verdade inclusive para os alevinos, que usam as plantas para se esconder de predadores em potencial.
  • Menor manutenção: As plantas são tão benéficas para o aquário, que funcionam como um controle natural dos parâmetros. Por isso, um aquário bem plantado pode até reduzir a quantidade de TPAs necessárias. Existem aquários que são tão densamente plantados, que nunca precisam de TPAs e, em alguns casos, nem de filtros.

Os três principais fatores em um aquário plantado – Luz, CO2 e Substrato

Para se tornar um expert em aquários plantados, existem 3 área que você precisa dominar: Iluminação, injeção de gás carbônico (CO2) e uso de substratos férteis.

A iluminação é justamente um dos dois fatores necessários para a planta realizar a fotossíntese, por isso é preciso ter uma luz na quantidade certa e também com as características certas. O outro fator importante na hora da fotossíntese é o CO2, consumindo pelas plantas no processo. A quantidade disponível dessa substância em um aquário é muito pequena, por isso mesmo, costuma se injetar CO2 na água quando se tem um aquário plantado.

O outro elemento importante nessa trinca do aquário plantado é o substrato. Aquários comuns não necessitam de tipos específicos de substrato, mas algumas plantas retiram seus nutrientes através das raízes, então o substrato para elas têm que ser especial, o que chamamos de um substrato fértil.

Mais a frente, falaremos em detalhes sobre cada um desses fatores, mas por agora é preciso saber que diferentes tipos de plantas têm níveis de exigências diferentes para cada um desses elementos (luz, CO2 e substrato fértil). Então alguns aquários podem precisar de muita luz, muito CO2 e um substrato riquíssimo, enquanto outros, podem se virar muito bem com apenas um iluminação decente e o CO2 gerado pelos peixes que habitam no aquário.

Mas como saber qual aquário precisa de que?

Aquário low tech ou aquário high tech? Qual a diferença e qual o melhor?

Como dito anteriormente, aquários plantados precisam de luz, CO2 e nutrientes (geralmente no substrato). Sabendo disso, muitas pessoas podem acreditar que ter um aquário plantado é sempre caro e trabalhoso. Mas a verdade é que existem aquários mais exigentes e outros menos exigentes. Por causa disso, nós temos dois tipos diferentes: Os aquários low tech e os high tech. Não existe um estilo melhor, mas é preciso entender qual se adapta melhor ao seu objetivo. Aquários low tech são mais fáceis de manter e mais baratos, mas limitam os tipos de plantas que você pode ter. Já aquários high tech são mais caros, exigem mais cuidados, mas permitem que você monte seu plantado sem nenhum limite,.

Aquários low tech:

Os aquários low tech são aqueles que exigem baixa manutenção e investimentos. Nesses aquários você não precisa ter injeção de CO2, não precisa necessariamente de um substrato fértil e nem de uma iluminação extremamente cara e intensa. Mas como isso é possível?

As plantas tem níveis de exigência diferentes, então se você monta um aquário usando apenas plantas fáceis, isso significa que nesse aquário você não precisa ter injeção de CO2, nem altos níveis de iluminação e nutrientes. Essas plantas vão viver muito bem com uma iluminação leve, um substrato inerte que possibilite as raízes se fixarem e o CO2 gerado naturalmente através da respiração dos peixes.

A lista de plantas low tech é tão grande, que é possível fazer um aquário de aparência magnifica usando apenas estes tipos de plantas. Algumas das plantas low tech são: Anubias, musgo de java, cabomba, cryptocoryne, echinodorus, hygrophila e microsorum.

Alguns exemplos de aquários low tech:

Aquário low tech de anúbias
Low tech com anúbias
Low tech com um kinguio
Low tech com um kinguio
Aquário low tech simples
Low tech simples, mas muito bonito.

Aquários High Tech:

Os aquários high tech são aqueles em que você pretende ter plantas exigentes, que precisam de níveis altos de luz, CO2 e nutrientes. Aquários desse tipo costumam ser mais caros e precisam de mais manutenção. Por outro lado, costumam se desenvolverem mais rápido e serem extremamente bonitos.

Ser caro não é necessariamente uma regra, já que existem alternativas baratas para disponibilizar o que as plantas exigem, mas sendo através de produtos e equipamentos caros, ou alternativas caseiras e baratas, você precisará suprir as necessidades das plantas, para que o aquário se desenvolva de maneira adequada.

Isso significa que em um aquário plantado você precisará ter substrato fértil, iluminação forte e injeção de gás carbônico. Muitos aquaristas ainda utilizem fertilizantes líquidos, para dar ainda mais nutrientes para as plantas se desenvolverem em toda sua exuberância.

Nesse tipo de aquário, você pode ter qualquer espécie de planta, inclusive as low techs. Mas além destas, poderá ter plantas carpete, plantas vermelhas e qualquer outra espécie de planta que não sobreviveria em um aquário low tech.

Alguns exemplos de aquários high tech:

Aquário High Tech no estilo Selva
High Tech no estilo Jungle
Aquário high tech no estilo holandês
Aquário high tech no estilo holandês

Como escolher o substrato ideal

Antes de saber qual escolher, é importante entender a diferença entre dois tipos de substrato, o fértil e o inerte.

O substrato inerte é aquele que não apresente nenhum nutriente. Ele é apenas um material inerte, que serve para decorar seu aquário e para as plantas se fixarem, mas não libera nutrientes na água ou para as raízes das plantas. Exemplos desse tipo de substrato são: areia, cascalho, basalto…

substratos férteis têm uma função além da decoração e fixação. Eles vêm carregados de nutrientes essenciais para as plantas. São substâncias como ferro, fosfato, potássio e etc. Devido a sua alta quantidade de nutrientes, não devem ser colocados em contato com a coluna de água do aquário, já que deixariam o aquário saturado de nutrientes causando poluição e algas em excesso. Para evitar isso, por cima do substrato fértil, costuma se colocar uma camada de substrato inerte, isolando assim a camada fértil da água. Exemplos desses substratos: Sera Floredepot e JBL Aquabsis.

Também existem substratos férteis que podem entrar em contato com a coluna de água. Estes liberam os nutrientes mais lentamente e não causam surtos de água, apesar de que no inicio da montagem, podem sim contribuir um pouco para o aparecimento de algumas algas. O lado bom desse tipo de substrato é que eles dispensam o uso de camada inerte. Exemplos desses substrato: Oceantech Plant Active e Mbreda Amazônia.

Na hora de escolher o substrato, é preciso saber que tipos de aquário você vai querer ter. Porque se a ideia for ter um aquário de baixa manutenção, usando plantas low tech apenas, não é necessário ter um substrato fértil. Por outro lado, caso queira um aquário densamente plantado, com muitas plantas high tech, um substrato fértil é a melhor opção. Então vamos atacar esse problema diferenciando entre os dois tipos de aquário, low tech ou high tech.

Substratos para aquário low tech:

Em aquários low tech, você terá apenas plantas de baixo nível de exigência. Por isso usar um substrato inerte como cascalho ou basalto, é suficiente para as plantas se fixarem. Porém, é importante não usar grãos muito finos, pois eles tendem a se compactar e impedir a propagação das plantas e raízes.

É possível usar substratos férteis , mas isso pode ser perigoso, porque plantas low tech costumam crescer lentamente, então não consomem muitos nutrientes. Então você terá mais elementos dissolvidos na água, dando margem para o crescimento de muitas algas. Caso deseje usar um substrato fértil, é mais interessante colocá-lo apenas nas áreas onde pretende ter plantas, e não em todo o aquário.

Substratos para aquário high tech:

Em aquários plantados, a forma mais comum de se montar seu setup é ter um substrato fértil, coberto por um substrato inerte. Ou focar em ter um substrato fértil que pode ter contato com a coluna de água. Mas como fica a montagem dessas opções de substratos?

Substrato fértil isolado por inerte: Coloque substrato fértil até atingir a altura recomendada pelo fabricante (geralmente por volta de 5 cm). Depois cubra com uma camada de substrato inerte de 8 a 10 cm. Isso garante que o substrato fértil não vai vazar para a coluna de água. Abaixo, uma imagem explicando como deve ser a montagem.

Representação de substrato inerte e fértil.

Substrato fértil que pode entrar em contato com a água: Apenas coloque a quantidade de substrato recomendada pelo fabricante e pronto. Seu substrato já está montado. Veja como deve ficar a montagem:

Representação de substrato que pode ficar em contato com a água.

Como escolher a iluminação do seu aquário (cálculo de lumens por litro)

A iluminação é um dos principais fatores na hora de conseguir ter um aquário plantado bem sucedido. As plantas usam luz para fazer a fotossíntese, processo fundamental para seu desenvolvimento e sobrevivência. Então, um aquário com uma quantidade ou qualidade de luz inadequada, certamente falhará.

Hoje em dia, temos tantas opções de iluminação para aquário (lâmpadas eletrônicas, lâmpadas leds, refletores leds…) que é possível até ficar confuso na hora de escolher uma. Mas o que é preciso saber sobre a iluminação de um aquário? Para entender precisamos falar sobre temperatura de cor e lumens

Temperatura de cor: Primeiramente é preciso entender que nem toda a luz é do mesmo tipo. Por isso precisamos entender qual a temperatura de cor adequada para as plantas. A temperatura de cor, medida em Kelvins (K), é o que da aquele tom mais amarelado, azulado ou branco nas lâmpadas. Para um aquário plantado, a temperatura de cor mais adequada a uma ampla variedade de plantas é 6500 K. Essa temperatura é conhecida como branco frio.

Lumens – No passado julgávamos a intensidade de luz baseado na quantidade de watts das lâmpadas. Isso fazia sentido porque tínhamos menos variedades de lâmpadas, então todas tinha mais ou menos a mesma eficiência. Hoje temos inúmeros tipos de iluminação (incandescente, led, eletrônica…) com eficiências energéticas diferentes. Por isso, na hora de medir a intensidade de luz, usamos uma medida padrão entre todos estes tipos. O Lumen é justamente a unidade de medida referente a quantidade de luz ou fluxo luminoso. Para calcular a quantidade lumens que um aquário precisa. Usamos a regra de lumens.

Regra de lúmens

A regra de lúmens define a quantidade de luz necessária para o aquário, considerando a quantidade de litros e também o tipo de plantas que ele tem (mais exigentes ou menos exigentes).

A regra é:

Para plantas de baixa exigência – 20 lm/L
Para plantas de média exigência – Entre 30 e 40 lm/L
Para plantas exigentes – 60 lm/L
Para plantas muito exigentes – Entre 60 e 90 lm/L

Seguindo essa regra, um aquário low tech vai precisar de apenas 20 lm/L. Mas se nesse aquário você tiver algumas plantas um pouco mais exigentes, pode optar por 30 ou 40 lm/L.

Por outro lado, caso tenha um aquário cheio de plantas vermelhas super exigente, pode ser melhor ter uma iluminação de 90 lm/L.

Gás Carbônico – Injeção de CO2, carbono líquido e pastilhas

O outro fator essencial na hora da fotossíntese é o gás carbônico (CO2). Durante este processo a planta consome CO2 e libera oxigênio no aquário, ajudando assim na oxigenação da água. É justamente através da combinação perfeita entre nível de gás carbônico dissolvido e quantidade de luz, que a fotossíntese atinge a sua eficiência máxima.

Em aquários low tech, muitas vezes o CO2 gerado pelos próprios peixes já é suficiente para o desenvolvimento das plantas. Mas um low tech densamente plantado, ainda pode exigir uma suplementação de gás carbônico.

Já aquários high tech, precisam de uma quantidade de CO2 suficiente para suprir as necessidades de plantas exigentes e de crescimento rápido, para tanto é preciso ter um ótimo sistema de injeção de gás carbônico. Vamos analisar agora as opções mais comuns de fontes de CO2:

  • Sistema de CO2: São equipamentos que adicionam CO2 no aquário. Geralmente consistem de um cilindro de metal com o gás no seu interior, que injeta CO2 no aquário de maneira controlada. É a forma mais profissional de se fazer esse processo, já que os sistemas possibilitam definir exatamente a quantidade de bolhas por segundo a serem usadas no seu setup. São mais caros, porém fazem toda a diferença em um aquário bem plantado.
  • Carbono líquido: São alternativas ao sistema de injeção de CO2. Com esses produtos, você adiciona ao aquário CO2 em forma líquida, que também pode ser utilizado pelas plantas na fotossíntese. Não é tão eficiente como o CO2 em forma de gás, mas ainda assim são muito bons para determinados tipos de plantas. Costumam ser muito usados em aquários low tech. Um ótimo benefício desses produtos, é que eles são altamente eficientes no combate as algas, então ao usá-los, também estará combatendo uma grande variedade de algas. No Brasil os produtos mais famosos são o Flourish Excel e o Carbo da RC Flora.
  • Pastilhas de CO2: São produtos que liberam CO2 no aquário de maneira gradativa. São bastante usados em aquários de pequeno porte e low tech.

Fertilização líquida

Aquaristas profissionais, costumam ter tanto conhecimento e controle dos seus aquários, que não basta para eles ter um substrato fértil para oferecer nutrientes as suas plantas. Eles costumam dosar nutrientes na água. Mas o que isso significa?

As plantas precisam de diversos tipos de substâncias diferentes, quando falamos dosar nutrientes, quer dizer que adicionamos alguns desses elementos diretamente na água do aquário, afim de suplementar necessidades específicas das plantas.

Então por exemplo, se temos muitas algas verdes no aquário, isso é um sinal de falta de fosfato na água. Então o aquarista pode adicionar o fosfato diretamente no aquário, isso irá fazer as plantas se desenvolverem melhor e ainda diminuirá a quantidade de algas verdes. Também é possível dosar ferro, nitrogênio, potássio e outras inúmeras substâncias.

Algumas pessoas também utilizam a fertilização líquida como uma maneira de substituir o substrato fértil. Não é algo que funciona para todos os casos, mas pode ser eficiente em determinados setups. No entanto, não é uma prática recomendada para iniciantes.

Passo a passo para montar um aquário plantado

E depois de adquirir tanto conhecimento, vem a parte mais interessante. Chegou a hora de montar seu aquário plantado. Então vamos disponibilizar agora um passo a passo para se montar um aquário plantado com tudo que se tem direito: Iluminação forte, substrato fértil e um sistema de CO2.

O que você irá precisar:

  • Aquário
  • Substrato fértil
  • Substrato inerte
  • Decorações (Rochas, troncas, etc)
  • Plantas
  • Luzes
  • Sistema de CO2
  • Filtro

Montando o substrato:

O substrato é a base do aquário. É onde as raízes se fixam e de onde tirar nutrientes para o crescimento dos plantas.

Comece adicionando o substrato fértil. Coloque uma camada de 3 a 5 cm(dependendo do tamanho do aquário, isso pode ser adequado) de desse tipo de substrato. Espalhe bem por todo o aquário,

Após a camada fértil, está na hora de colocar o substrato inerte. Aplique uma cada de 8 a 10 cm (pode ser adaptado ao tamanho do aquário) para isolar completamente o substrato fértil da coluna de água. Além disso, é uma prática comum colocar o substrato inerte como uma rampa (mais baixo na frente e mais fundo atrás). Isso causa um efeito visual melhor, quando observando o aquário de frente.

Vista frontal. Substrato fértil embaixo, substrato inerte em cima.
Vista frontal. Substrato fértil embaixo, substrato inerte em cima.
Vista lateral. Frente mais baixa, fundo mais alto.
Vista lateral. Frente mais baixa, fundo mais alto.

Montando o hardscape:

Após termos o substrato, está na hora de montar suas “decorações”. O layout das rochas, troncas e decorações é o que chamamos de hardscape. É o que define a forma do seu aquário, antes dele ser plantado. Como na imagem abaixo:

Hardscape usando apenas rochas e substrato
Hardscape usando apenas rochas e substrato

Monte o seu hardscape de uma maneira que te agrade visualmente, já imaginando as áreas onde você deseja adicionar as plantas. Representação do seu hardscape abaixo:

Representação do hardscape com rochas e tronco
Representação do hardscape com rochas e tronco

Adicione as plantas:

Agora você deve adicionar as plantas. Usando uma pinça (caso não tenha, use os dedos), fixe as plantas no substrato até que elas fiquem firmes. Algumas plantas como musgos e anúbias, não podem ser enterradas, portanto as amarre ou as cole nas pedras e troncos.

Um bom guia é: use plantas altas no fundo do aquário e plantas baixas na frente do aquário. Isso dá uma sensação de profundidade, além de não bloquear os elementos do hardscape. Representação do aquário, já com as plantas:

Plantas adicionadas ao hardscape.
Plantas adicionadas ao hardscape.

Montar sua iluminação:

Para escolhermos que iluminação usar, precisamos calcular a regra de lúmens. Ela vai definir a quantidade de lúmens necessária para as plantas do seu aquário.

Relembrando a regra dos lúmens:

Para plantas de baixa exigência – 20 lm/L
Para plantas de média exigência – Entre 30 e 40 lm/L
Para plantas exigentes – 60 lm/L
Para plantas muito exigentes – Entre 60 e 90 lm/L

Nesse nosso aquário hipotético, estamos montando um aquário high tech, ou seja, com plantas exigentes. Nesse caso, precisamos de 60 lm/L. Se for um aquário de 100 litros, por exemplo, precisaremos de 6000 lm no total. Além disso, é preciso escolher uma fonte de luz que tenha temperatura de cor de 6500 K

Para alcançar uma quantidade de lúmens como essa, existem várias possibilidades: refletores de leds e leds tubulares são ótimas opções e fáceis de montar. Uma iluminaria específica para aquários plantados também é uma grande escolha, porém muito mais cara.

Também é importante definir quantas horas por dia as luzes ficarão ligadas. No geral, 8 horas é um bom lugar para começar. Mas adapte essas horas de acordo com o desenvolvimento das plantas e de acordo com aparecimento de algas.

Sistemas de CO2:

Para um aquário de mais ou menos 100 litros, a melhor opção é um sistema completo de injeção de CO2. Esses sistemas são formados por um cilindro que com auxílio de outros equipamentos, injeta uma quantidade controlada de CO2 no tanque, geralmente medida por bolhas por segundo.

Não existe uma regra específica para calcular a quantidade de CO2 necessária na água. Até porque esse valor varia com cada aquário, e até mesmo em um mesmo aquário, pode mudar de tempos em tempos.

Uma maneira de calcular esse valor é comprar um drop checker. Esse equipamento muda de cor, de acordo com a concentração de CO2 na água. Ele fica azul quando não tem CO2 suficiente, amarelo quando tem mais CO2 do que necessário e verde caso a quantidade esteja adequada.

Montar o filtro:

A filtragem é uma das partes mais importantes do aquário. É preciso escolher um filtro eficiente e com a vazão adequada. Como um guia geral, é preciso ter um filtro que tenha vazão de 5 a 10 vezes o volume de água do aquário. Ou seja, um aquário de 100 litros precisa de um filtro com vazão de entre 500 a 1000 litros por hora.

Para aquários de até 100 litros, geralmente um filtro hang on é uma ótima opção, apesar de serem menos poderosos que os canisters. São eficientes, fáceis de limpar e simples de montar.

Para aquários de 100 litros ou mais, um filtro canister pode ser uma melhor opção. Eles são mais fortes e possibilitam mais opções de customização, escolher mídias específicas de filtragem e etc. O lado ruim é que a manutenção é bem mais trabalhosa.

Encher o aquário:

Agora com substrato montado, rochas e troncos no lugar, plantas fixadas e filtro montado, encha o aquário com água.

Cuidado nessa hora, pois se encher o aquário com uma corrente de água muito intensa, pode acabar bagunçando o substrato e até fazendo o substrato fértil vazar. Portanto adicione alguma espécie de anteparo acima da camada inerte, como um prato ou uma lona, para que a água não bata direto no subtrato.

Ligue os equipamentos:

O aquário já está cheio, então ligue o filtro, o sistema de CO2 e a iluminação. Agora seu aquário já está montado e pronto para a ciclagem.

Automatize os seus equipamentos:

Alguns equipamentos precisam de um horário específico de funcionamento. Por exemplo, a luz precisa ficar apenas 8 horas ligada. O gás carbônico também, porém o gás deve ser ligado uma hora antes da luz, e também desligado uma hora antes da luz desligar.

Para manter esses horários com disciplina, a melhor opção é ligar os equipamentos em temporizadores, eles vão manter tudo funcionando sem você precisar se preocupar.

Faça a ciclagem do seu aquário:

Não esqueça de fazer a ciclagem do aquário. Fazer toda a ciclagem sem peixes é muito importante. Isso preparará a biologia do seu aquário da melhor maneira possível, evitando problemas com algas, doenças e poluição. Por mais que seja chato montar o aquário e ficar sem peixes por cerca de um mês, aproveite esse tempo para acompanhar com atenção o estabelecimento e desenvolvimento das suas plantas.

Com o aquário montado, é preciso fazer a manutenção

TPAs: Todo aquário se beneficia de trocas parciais de água. Elas removem o excesso de nitratos e outra substâncias nocivas para os peixes. Caso essas substâncias acumulem, elas podem prejudicar a saúde dos seus peixes, além de causar surtos de algas no seu aquário.

Podas: A medidas que as plantas se desenvolvem, elas podem ficar grandes demais para seu aquário. Nessa hora você precisa podar as plantas. Isso também serve para dar a forma desejada as plantas que você tem, por exemplo, podá-las para que façam um formato de moita. As podas também estimulam a propagação das plantas.

Algas e como evitar: Existem muitos fatores que causam algas, mas a maior parte surge devido a desequilíbrios na biologia e química do seu aquário. Para evitar esses surtos, sempre faça a ciclagem de novos aquários, além de manter a quantidade ideal de luz e CO2. Excesso de iluminação e quantidades insuficientes de gás carbônico podem causar os piores surtos de algas.
Outro ponto importante é manter as plantas se desenvolvendo, plantas e algas competem por nutrientes. Se as plantas estão se desenvolvendo bem, elas estão ganhando a competição e deixando poucos nutrientes para as algas. Caso as plantas não estejam se desenvolvendo, as algas vão ficar com todos os nutrientes que sobram.

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Publicado em 1 jul, 2020

Autor: Rodrigo Matos é aquarista a mais de 20 anos, com dezenas de aquários montados a longo dessas duas décadas. Sua especialidade são aquários plantados, porém têm experiência com aquários marinhos, ciclideos, criação de neocaridinas, bettas, nanos, dentre outros. Atualmente está focado na criação de neocaridinas e em aquários densamente plantados.

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